Por carta, sem dar razões, Departamento de Justiça informou agência que escutas ocorreram durante dois meses
A agência de notícias norte-americana AP (Associated Press)
afirmou nesta segunda-feira (13/05) ter sido alvo de escutas telefônicas
por autoridades federais durante os meses de abril e maio do ano
passado. A companhia recebeu essa informação através de uma carta do
próprio Departamento de Justiça norte-americano, enviada na última
sexta-feira (10) pelo procurador de Justiça, Eric Holder, ao presidente
da agência, Gary Pruitt.
Pruitt, em resposta de protesto a Holder, criticou a "intrusão massiva e
sem precedentes" do Departamento às atividades noticiosas da AP.
Segundo ele, o governo obteve um número de informações muito além de
qualquer justificativa para uma eventual investigação específica.
"Não há justificativa possível para uma coleta tão grande de comunicações telefônicas da AP
e dos seus jornalistas. Os registros podem revelar conversas realizadas
com fontes confidenciais durante a atividade jornalística levada a cabo
pela AP por dois meses, providenciam um mapa das operações
jornalísticas e divulgam informação sobre as atividades da AP que o
governo não tem o direito de saber", disse Pruitt na carta dirigida ao
procurador Eric Holder, Secretário de Justiça.
Reprodução/AP
Os dados grampeados incluem números de chamadas telefônicas recebidas e
enviadas, de e para números profissionais ou pessoais e as durações de
cada uma dessas conversas. O número exato de jornalistas grampeados
nesses dois meses é indeterminado, mas calcula-se que sejam mais de cem.
Pruitt considera que essa ação do departamento é uma "séria
interferência aos direitos constitucionais" da agência e exige que todos
os registros telefônicos sejam devolvidos e as respectivas cópias,
destruídas.
No entanto, o órgão não revelou, na carta à agência, quais seriam os motivos dessa ação. Segundo a AP,
a medida pode estar relacionada ao fato de Holder ter dito publicamente
que estava conduzindo uma investigação que teria relação com uma
matéria da agência que revelava a intenção da rede terrorista Al Qaeda
de realizar um suposto atentado terrorista. Os funcionários do governo
teriam tentado localizar fontes da AP relacionadas a uma
operação de contraterrirsmo da CIA (central de inteligência
norte-americana) no Iêmen – entre os números grampeados estavam os dos
jornalistas que participaram da reportagem investigativa.
A Associated Press, uma das mais antigas agências do mundo e
fundada em 1846, é uma cooperativa gerida pelos proprietários de uma
série de jornais e estações de rádios e televisão norte-americanos.
O Departamento de Justiça tem autorização legal para grampear veículos
de comunicação, mas só através de autorização da procuradoria-geral do
país e quando todas as outras alternativas já tiverem se esgotado. Até o
momento, o órgão não se pronunciou sobre a situação.
Repercussões
O congressista republicano da Califórnia Darrel Issa, presidente do
Comité de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara de Representantes,
criticou o governo em comunicado: "Os norte-americanos deveriam perceber
que os funcionários de alto nível da administração Obama se veem como
acima da lei, sentindo-se encorajados pela crença de que não precisam
responder perante ninguém".
A organização RSF (Repórteres sem Fronteiras) qualificou o escândalo
das escutas de "infração gravíssima" contra a liberdade de informação e
de "violação das comunicações telefônicas".
A RSF afirma que o Departamento de Justiça norte-americano enviou em 10 de maio uma carta à AP
na qual informava sobre a investigação de 20 linhas telefônicas, mas
"sem" precisar os motivos e nem os argumentos legais do procedimento".
"Assinamos embaixo as palavras de Gary Pruitt, diretor-geral da AP, que
denuncia uma 'intromissão em massa e sem precedentes'", disse a
organização, em outra carta enviada a Eric Holder.
"Repórteres sem Fronteiras pede ao Departamento de Justiça que responda sem demora ao pedido da AP
de destruir dados dos telefones. Estimamos também que fatos contrários
às garantias constitucionais exigem um exame de uma comissão de
investigação do Congresso", acrescenta RSF em comunicado.
Além disso, a organização com sede em Paris "constata com preocupação
que a administração federal atual não acabou com as práticas em vigor
durante o duplo mandato de George W. Bush, que sacrificaram os dados
privados e sobretudo o direito dos cidadãos de estarem informados",
acrescenta.
A RSF considera que este fato demonstra a necessidade de uma lei
federal nos Estados Unidos para proteção de fontes jornalísticas, já em
vigor em 34 Estados do país.
Saiu no G1 23/04/2013 15h33
- Atualizado em
23/04/2013 15h37
Caso ocorreu em 2008, em Iowa, e foi revelado nesta terça-feira. Hospital deportou dois homens porque não sabia se plano cobriria gastos.
Dois mexicanos que sofreram graves lesões após um acidente de carro em
2008 e estavam internados em coma em um hospital de Des Moines, no
estado de Iowa (EUA), foram deportados para o México depois que seu seguro de saúde deixou de cobrir os gastos.
Jacinto
Rodríguez Cruz (esq) e José Guadalupe Rodríguez Saldana foram
deportados enquanto estavam em coma (Foto: Félix Márquez/AP)
Jacinto Rodríguez Cruz e José Guadalupe Rodríguez Saldana tinham
seguros de saúde, pois trabalhavam em um dos maiores produtores de
suínos dos EUA. No entanto eles não tinham permissão legal para viver no
país.
Como não estava claro se o seguro iria cobrir a reabilitação, o
hospital consultou as famílias deles e enviou os dois homens em coma em
um jato particular para o México. Ou seja, eles foram deportados sem que
qualquer tribunal ou agência federal fossem consultados.
Jacinto Rodríguez Cruz em sua casa em Veracruz. Ele sofreu acidente em 2008 nos EUA (Foto: Félix Márquez/AP)
Quando acordaram do coma, eles estavam a quase 3 mil quilômetros de
distância em um hospital de Veracruz, no México. Os dois contrataram um
advogado e entraram com processo.
Segundo especialistas ouvidos pela agência "AP", o processo obscuro
conhecido como "repatriação médica" permite que os hospitais coloquem
pacientes em voos internacionais fretados, muitas vezes, enquanto os
pacientes ainda estão inconscientes. Os hospitais normalmente pagam
pelos voos.
Justiça revisitou caso de assassinato
de rabino e descobriu que investigação cheia de falhas levou David Ranta
a perder duas décadas de sua vida em prisão de segurança máxima
NYT |
Na escuridão do inverno, há 23 anos, em uma rua em
Williamsburg, Brooklin, um ladrão de joias que fugia de um assalto
mal-sucedido entrou em pânico e atirou em um rabino hassídico na cabeça.
Quatro dias depois, o rabino Chaskel Werzberger,
sobrevivente de Auschwitz, morreu em decorrência dos ferimentos. Mesmo
na cidade de Nova York dos anos 1990, quando o número de homicídios
chegava a quase 2.245, o assassinato causou tristeza e indignação. O
"Rabino Assassinado" foi notícia de primeira página de um tablóide. O
prefeito David Dinkins (1990-1993) foi até Williamsburg para participar
do funeral.
NYT
David Ranta no complexo penitenciário de Alden, Nova York
O novo procurador distrital do Brooklin,
Charles Hynes, ficou ao lado dos judeus observando à medida que eles
balançavam para trás e para frente enquanto o caixão de pinho era levado
para fora. Ele prometeu trazer o assassino à Justiça.
Quarenta detetives trabalharam no caso, que, na
época, foi liderado pelo detetive Louis Scarcella. Trabalhando de perto
com um influente rabino da região, Scarcella prendeu um viciado em
drogas, desempregado chamado David Ranta. Judeus hassídicos cercaram o
carro que levava o homem acusado para a cadeia, batendo no teto e
gritando: "Pena de morte!"
Ranta foi condenado em maio de 1991 a 37 anos e meio de
prisão de segurança máxima. No entanto, ele, quase certamente, era
inocente.
Hynes, depois de uma longa investigação feira por uma
unidade que criou para pesquisar condenações questionáveis, pediu a um
juiz estadual para liberar o prisioneiro. No final de março, David Ranta
saiu da Suprema Corte do Broklin como um homem livre, após passar mais
de duas décadas na prisão.
A juíza Miriam Cyrulnik ouviu rápidos depoimentos do
advogado de defesa, Pierre Sussman, e de Hynes. Então, ela fixou seus
olhos em Ranta, homem de estatura modesta, com cabelos finos e quase
grisalhos. "Dizer que eu sinto muito pelo que você suportou seria um
eufemismo e grosseiramente inadequado, mas eu direi a você de qualquer
forma", disse, antes de afirmar: "Senhor, você é um homem livre."
Em seu segundo dia de liberdade, no entanto, David Ranta
sofreu um novo revés: uma série de ataques cardíacos, segundo informou
seu advogado. Ele foi levado para um hospital em Nova York, onde médicos
descobriram que uma das artérias de Ranta estava completamente entupida
e outra estava quase fechada e teve que ser submetido a cirurgias.
O caso
Nas décadas subsequentes à sua condenação pelo júri,
quase todos os itens de evidência de seu caso foram desconsiderados. A
testemunha-chave disse ao The New York Times que um detetive a instruiu a
identificar Ranta. Um estuprador condenado disse ao promotor público
que acusou Ranta falsamente, na esperança de conseguir um acordo para si
mesmo. Uma mulher assinou um depoimento dizendo que também mentiu sobre
o envolvimento de Ranta no crime.
Scarcella e seu sócio, Stephen Chmil, de
acordo com investigadores e documentos legais, infringiram regra após
regra. Efetuaram poucos registros escritos e treinaram uma testemunha.
Um investigador disse que eles permitiram que dois criminosos deixassem a
prisão para fumar crack e sair com prostitutas em troca de incriminar
Ranta.
No julgamento, o Ministério Público reconheceu
que os detetives cometeram infrações, mas os retrataram como calhordas
simpáticos. Apesar de aposentado, ao ser contactado, Scarcella defendeu
seu trabalho. "Eu nunca incriminei ninguém em minha vida."
Nenhuma evidência física ligou Ranta ao assassinato.
Ranta é tímido, seu cabelo grisalho está cada vez mais
ralo. Sua voz ainda carrega as entonações e gírias de alguém que veio da
classe trabalhadora do sul do Brooklin. Quando perguntado sobre como
havia sobrevivido todo esse tempo, disse que não tinha certeza se
realmente estava vivo.
"Eu ficava deitado em minha cela à noite e eu pensava
comigo mesmo: eu sou o único no mundo que sabe que sou inocente", disse.
"Eu cheguei aqui com 30 anos de idade, tinha filhos, uma mãe que estava
viva na época. Este caso acabou com a minha vida."
Um veredicto: culpado
Tudo começou com um assalto mal sucedido no dia 8 de
fevereiro de 1990. Chaim Weinberger, um mensageiro da empresa Pan
American Diamante Corp, saiu de seu apartamento em um conjunto
habitacional público em Williamsburg, levando consigo uma mala de 22kg
cheia de diamantes e pedras preciosas. Ele tinha que pegar um vôo às 7h
para a República Dominicana, onde sua carga seria usada para fabricação
de joias.
Suas viagens eram previsíveis e programadas,
por isso, se preocupava com possíveis roubos. No saguão, viu um rapaz
alto, loiro e bonito "parecido com um salva-vidas de praia", disse
Weinberger. Eles olharam um para o outro. O homem loiro desceu as
escadas.
À medida que Weinberger caminhava rapidamente para a rua,
viu que o homem o seguia. Ele jogou a mala no porta-malas e ligou seu
carro. O homem loiro caminhava rapidamente, cobrindo o rosto com um
lenço e sacou uma arma prateada.
Weinberger colocou o carro em marcha à ré e jogou o
atirador contra uma pilha de lixo. Ele fugiu, com a porta de seu carro
aberta. Ele lembrou, em uma entrevista, que não parou até chegar no
aeroporto. Mas a tragédia se desenrolou.
NYT
Funeral do rabino Chaskel Werzberger, em Nova York, reúne centenas (12/2/1990)
O assaltante, nervoso, viu o rabino Werzberger
aquecendo seu carro azul, um 1985 Oldsmobile Cutlass Supremo, a caminho
para uma sinagoga. Ele correu, disparou um tiro, puxou o rabino
mortalmente ferido para fora e foi embora em seu carro.
Esse assassinato mexeu com a comunidade Satmar.
Werzberger era o conselheiro e grande rabino. O Satmar, uma seita
intensamente devota e politicamente poderosa e ultra-ortodoxa, exigiu
que a polícia encontrasse o assassino. O Rabino Leib Glantz foi
escolhido para realizar o trabalho.
Glantz reuniu testemunhas, as trouxe para a
delegacia e traduzia do iídiche à medida que detetives realizavam
entrevistas. Eles trabalharam arduamente, falando com criminosos em
liberdade condicional e diferentes tipos de malfeitores foram
interrogados.
Um telefonema anônimo sugeriu que a polícia
falasse com Joseph Astin, um assaltante experiente, que era alto e
loiro, com boa aparência. Mas no dia 2 de abril, Astin bateu seu carro
em uma perseguição policial e morreu.
No final de abril, Scarcella foi para a cadeia e visitou
Dmitry Drikman. Drikman estava cumprindo pena por vários assaltos, e no
passado, havia sido condenado por estupro. Na esperança de obter uma
sentença mais curta, ele mostrou-se aberto e deu a Scarcella o nome de
seu amigo, Alan Bloom.
Bloom, um viciado em crack, tinha sido condenado por
dezenas de roubos e podia passar cerca de um século na prisão. E decidiu
começar a falar. Os detetives colocaram Bloom e Drikman na mesma seção
da cadeia, para que pudessem continuar a conversa.
Logo tiraram a conclusão que necessitavam para o caso:
Bloom tinha participado do roubo, mas um conhecido, David Ranta, um
ladrão amador e usuário de drogas, foi o atirador. E a namorada de
Drikman disse aos detetives que tinha visto Ranta e Bloom planejando
como iriam encobrir o crime.
O promoter Hynes apertou a mão de Bloom pouco antes dos
promotores terem lhe concedido imunidade de acusação no caso do
assassinato e reduzir sua pena por outros crimes. No dia 13 de agosto,
Scarcella e Chmil encontraram Ranta na Rua 73 em Bensonhurst. Eles o
algemaram e o levaram para a Delegacia 90 em Williamsburg.
Scarcella testemunhou no julgamento de Ranta, que, 26
horas depois, se sentou em um banco na delegacia de polícia e fez uma
confissão, muito incoerente. O detetive disse que não precisou sequer
fazer uma pergunta a Ranta. "Ele falava sem parar, e eu simplesmente
ouvi tudo que ele tinha para dizer," testemunhou.
Quando perguntado por que não questionou o suspeito, Scarcella se demonstrou indiferente. "Esse não é meu estilo", respondeu.
O caso estava carregado de inconsistências. Weinberger
tinha visto o atirador e testemunhou durante o julgamento que Ranta
“certamente" não era o culpado. Na verdade, quatro das cinco testemunhas
na primeira formação não identificaram Ranta como suspeito. No entanto,
o júri disse que Ranta era culpado.
Antes de sua sentença, Ranta falou ao tribunal a respeito
de policiais corruptos e aqueles que testemunharam contra ele. "Agora
fiquem a vontade para fazer o que precisa ser feito, mas eu sei que fui
incriminado", disse ao tribunal. "Quando eu apelar, espero que isso
traga à tona a verdade pois muitas pessoas ficarão envergonhadas de si
mesmas."
Por trás do caso
Durante o julgamento, Scarcella provou ser uma
testemunha interessante. Nascido no bairro de Bensonhurst, um detetive
da velha guarda, falou sobre como fazer com que um suspeito falasse com a
polícia e onde comprar a melhor pizza (New Haven, ele aconselhou). Mas a
descrição de sua investigação irritou o juiz, Francis Egitto.
Quando questionado por que levou presos para
fora da cadeia para comer em restaurantes e visitar amigos, Scarcella
respondeu: "Eu faço o que bem entendo com meus prisioneiros."
"Eles não são seus prisioneiros", respondeu Egitto.
O detetive testemunhou que ao entrevistar Bloom
e Drikman, nunca escreveu nada, conforme exigido pelo procedimento
policial. Também não mostrou fotografias de Drikman ou Bloom a
testemunhas, apesar de serem suspeitos de homicídio.
O juiz, questionou como Scarcella havia feito para que
Ranta confessasse, perguntando por que um detetive veterano não levou
Ranta para uma sala de entrevista, onde poderia ter gravado sua
confissão. Scarcella disse que transcreveu a confissão de 658 palavras à
mão.
NYT
David Ranta fala com repórteres após sua soltura na Suprema Corte do Brooklin, Nova York
Ranta insistiu que não confessara nada. Passou
por um teste de polígrafo no qual foi questionado se havia atirado no
rabino. No meio do julgamento, o juiz falou com os advogados de sua
desconfiança em relação aos detetives. "Eles estão de brincadeira",
disse. "Querem ser juizes, júris e carrascos".
No entanto, quando instruiu o júri sobre o que
considerar durante a deliberação, não mencionou nenhuma de suas
preocupações. Quatro anos mais tarde, novas dúvidas surgiram. Em 1996,
Theresa Astin testemunhou que seu marido, Astin, que havia morrido
naquele acidente de carro em abril de 1990, havia assassinado o rabino.
Ela sabia a respeito de detalhes do assassinato. O
advogado de defesa de Ranta, Michael Baum, apresentou uma moção
judicial. Theresa acabou sendo uma testemunha mais complexa. No início
de 1980, ela era a namorada de Joe Sullivan, conhecido como Mad Dog, que
matou pelo menos 11 homens.
Depois, se casou e se estabeleceu no bairro de
Gravesend com Astin, um mecânico com um problema de cocaína que
realizava assaltos à mão armada. Embora sua vida pessoal fosse
tumultuada, Theresa contou uma história convincente: seu marido havia
planejado um assalto, e chegou em casa tremendo, quase em lágrimas, no
dia em que o rabino foi baleado. Mais tarde, ela o encontrou no
banheiro, desmantelando uma pistola. "Ele disse, 'eu feri alguém, alguma
coisa aconteceu'", Theresa testemunhou. "Ele estava chorando. Estava
com medo."
"Você está em apuros, Joe. É como se você
tivesse matado um padre em nossa religião"," ela o advertiu. Egitto
lidou com a audiência. Mais uma vez, escreveu sobre fatos preocupantes -
e se recusou a lançar o veredicto. Ranta temia que tinha esgotado todos
seus recursos. "Eu achei que ia morrer na prisão", lembrou.
O caso desmorona
Todo Natal, Baum recebia um cartão de Natal de Ranta. "Eu
nunca tive nenhuma dúvida em minha mente de que ele era inocente",
disse Baum em uma entrevista. "Eu durmo com o cartão todas as noites."
Há 17 meses, o procurador do distrito, promovendo sua
recém-criada Unidade de Integridade de Convicção, deu uma palestra para
os defensores públicos. Alguém, perguntou ele, sabe de casos que
deveriam ser re-examinados? Baum levantou a mão.
No Bronx, Pierre Sussman, um advogado de defesa em busca
de evidência de má conduta policial, percebeu que o nome Scarcella
apareceu em vários casos problemáticos. Fez uma pesquisa de computador,
descobriu o nome Ranta e o visitou na prisão, onde concordou em assumir
seu caso.
Logo, os últimos vestígios de evidência foram
desconsiderados. Um homem que tinha 13 anos na época do assassinato,
Menachem Lieberman, declarou na época que tinha visto Ranta sentado em
um carro perto do local do crime.
Hoje, quando localizado em sua casa em Montreal,
Lieberman disse que o caso o havia incomodado durante anos. "Antes de
entrar ( na sala para reconhecer os suspeito
), um detetive de polícia me disse para ‘apontar para o cara com nariz grande", disse aos investigadores.
Ele apontou para Ranta, disse, "porque ele tinha o maior
nariz". E a namorada de Drikman, Elizabeth Cruz, também abandonou a sua
história e pediu desculpas. "Eu fiz o que podia", disse sobre a
esperança de conseguir um acordo para seu namorado.
Drikman também afirmou que havia inventado sua história, e
que os detetives e Bloom "incriminaram" Ranta. O caso contra Ranta
havia sido desfeito.
"Eu vivi durante anos em uma jaula, despojado,
humilhado", disse. "Eu vou ser capaz de tocar as pessoas novamente, de
tomar minhas próprias decisões". Ele deu um grande suspiro. "Para ser
bem honesto, o que está por vir me assusta."
Dois estão em estado crítico depois de suspeito ir de prédio em prédio na Lone Star Community College System
iG São Paulo |
Um estudante deixou ao menos 14 feridos a facadas ao ir
de prédio em prédio em um campus de uma faculdade no Texas, disseram
autoridades. Segundo o porta-voz Thomas Gilliland, há um suspeito sob
custódia.
O ataque lançado cerca de 11h20 locais (13h20 em
Brasília) no campus da Lone Star Community College System levou ao menos
12 pessoas para hospitais da área, incluindo quatro transportados por
helicóptero, de acordo com o porta-voz voluntário do Departamento dos
Bombeiros Robert Rasa. Segundo ele, vários rejeitaram tratamento no
local do ataque e todos os ferimentos eram consistentes com facadas.
Funcionários de ensino inicialmente pediram àqueles
presentes no campus, localizado a cerca de 40 km a noroeste do centro de
Houston, que se abrigassem e ficassem alerta para a possibilidade de um
segundo suspeito. Mas, pouco depois, Gilliland afirmou que as
autoridades acreditavam que havia apenas um responsável pela ação. "Foi o
mesmo suspeito indo de prédio em prédio", disse.
De acordo com o xerife do condado de Harris, Adrian
Garcia, o suspeito está matriculado na Lone Star. Gilliland informou que
o agressor estaria com algum tipo de faca ou lápis, mas as autoridades
não puderam confirmar imediatamente a arma usada.
O estudante Teaundrae Perryman relatou estar em aula
quando recebeu uma mensagem de texto de um amigo e saiu para ver uma
jovem sendo carregada para uma ambulância com o que pareciam ser
ferimentos de faca no pescoço e cabeça. Ele disse que não recebeu um
email de alerta da faculdade até 11h56 locais.
"Fiquei preocupado, mas não com medo, porque estava com
um grande grupo de pessoas", disse o estudante de 21 anos,
acrescentando: "A polícia chegou ao local do crime muito rapidamente."
Quatro dos transportados por helicóptero e outros dois
com ferimentos moderados foram levados ao Hospital Memorial Hermann. Dos
seis, dois estão em condição crítica, enquanto os outros quatro estão
em situação estável, disse a porta-voz hospitalar Alex Rodriguez.
Uma estudante disse que soube de uma de suas colegas
havia sido atacada quando deixava o prédio do Centro de Ciência da Saúde
da faculdade. "Liguei para falar com uma outra colega que ainda estava
no prédio, e ela disse que a sala de aula havia sido fechada e que um
dos alunos havia sido esfaqueado", disse Margo Shimfarr-Evans à KHOU-TV.
"Isso aconteceu no corredor."
Courtland Sedlachek, 18, estava em aula quando seu
telefone e de outros alunos começaram a tocar. A sala foi imediatamente
fechada, mas os estudantes puderam deixar o campus pouco tempo depois,
no que foi descrito por Sedlachek como retirada organizada.
O ataque aconteceu três meses depois de um campus diferente da Lone Star ter sido palco de um ataque a tiros com dois feridos.
Saiu no G1 20/03/2013 17h50
- Atualizado em
20/03/2013 17h50
Limusine do comboio de Obama quebra em Jerusalém
Carro teve problemas técnicos. Incidente não atrapalhou deslocamento do presidente americano.
Da Reuters
Comente agora
Uma das limusines do comboio do presidente americano Barack Obama quebrou nesta quarta-feira (20) em Israel, mas não atrapalhou a movimentação do democrata por Jerusalém, segundo o Serviço Secreto.
O carro teve problemas mecânicos antes de Obama desembarcar. Segundo a
imprensa, ela poderia ter sido abastecida com combustível errado, mas
não houve confirmação.
A Nestlé, maior empresa de alimentos do mundo, retirou
produtos dos supermercados da Itália, Espanha, França e Portugal, depois
que se encontraram rastros de DNA equino em três comidas processadas.
Na semana passada, a Nestlé havia anunciado solenemente que seus
produtos estavam a salvo do escândalo. A reportagem é de Marcelo Justo,
de Londres
Marcelo Justo
Londres – O escândalo da venda de carne de
cavalo se converteu em uma bola de neve incontrolável. A Nestlé, maior
empresa de alimentos do mundo, retirou produtos dos supermercados da
Itália, Espanha, França e Portugal, depois que se encontraram rastros de
DNA equino em três comidas processadas. Na semana passada, a Nestlé
havia anunciado solenemente que seus produtos estavam a salvo do
escândalo. Na verdade, quase ninguém hoje parece salvo de nada, por mais
que empresas como a Nestlé e os próprios governos assegurem que a carne
equina não é um perigo para a saúde.
A Nestlé retirou duas
marcas de massas congeladas – Ravioli e Tortellini Buitoni – que estavam
sendo vendidas na Itália e na Espanha, e uma de lasanha vendida na
França e em Portugal. As provas de laboratório apontaram uma presença de
1% de carne de cavalo, mas a empresa decidiu suspender a
comercialização de todos os produtos da empresa alemã H.J.Schypke,
fornecedora dos congelados em questão. Na segunda-feira (18) uma cadeia
internacional de supermercados sediada na Alemanha, Lidl, retirou
produtos que continham vestígios de carne equina de seus supermercados
localizados na Finlândia e na Suécia.
Desde que as autoridades
irlandesas descobriram carne equina em uma amostra de hambúrguer à venda
em supermercados, o escândalo se disseminou por toda a Europa, expondo
uma cadeia globalizada de produção de alimentos repleta de
intermediários, que viaja desde a Romênia – origem da venda da carne de
cavalo – e Chipre para a França, o Reino Unido e o resto do sul e do
norte da Europa.
A União Europeia está coletando provas por
amostragem em seus 27 membros para detectar a presença de carne equina e
butus, uma droga anti-inflamatória para cavalos, proibida na cadeia
alimentar humana por seu impacto na saúde. Na França, um dos epicentros
da crise, as autoridades estão investigando a Spanghero, uma empresa
processadora de alimentos acusada de tratar de maneira fraudulenta cerca
de 750 toneladas de carne equina.
A OCCRP, que investiga o crime
organizado no leste europeu e na Ásia Central, identificou a empresa
Draap Trading, com sede em Chipre, como a responsável pelo envio da
carne de cavalo para a França. Draap, que admitiu a aquisição da carne
de matadouros na Romênia, está registrada em um paraíso fiscal nas Ilhas
Virgens e seu diretor, Jan Fasen, foi condenado no ano passado por
vender carne equina da América do Sul como carne bovina alemã e
holandesa.
Segundo o jornal dominical britânico “The Observer”,
Draap usa exatamente a mesma rede de empresas que o russo Victor Bout,
condenado em novembro de 2011 por fornecer armas às FARC da Colômbia e
acusado de ser uma figura chave do tráfico internacional de armas na
África e Oriente Médio. Rosie Sharpe, da ONG Global Witness, disse ao
“The Observer” que a crise está revelando os perigos que representa uma
opaquíssima globalização financeira. “Torna-se muito fácil processar o
dinheiro que sai da venda de carne adulterada ou tráfico de armas para o
crime organizado. É muito fácil ocultar o nome dos verdadeiros donos
das empresas por meio de paraísos fiscais”, assinalou Sharpe.
A
esta opaca estrutura financeira se somam os cortes orçamentários em
nível europeu. No Reino Unido, a Agência da Alimentação, que regula a
venda de produtos alimentares, foi reduzida à metade com o programa de
austeridade lançado pela coalizão Conservadora-Liberal Democrata em
2010. O atual ministro para o Meio Ambiente, a Alimentação e a
Agricultura, Owen Patterson, foi um dos artífices destes cortes sobre um
organismo que contava entre seus inimigos a indústria alimentícia e as
cadeias de supermercados. Patterson teve que recuar com seu discurso de
regulação “leve” e, mais irônico ainda, deixou de lado também o
euroceticismo radical, declarando que “a Europa é a organização que deve
coordenar nossos esforços”.
O programa de austeridade afetou
também os municípios, cujas unidades de supervisão alimentar sofreram
cortes de até 70%. Não surpreende tampouco que o setor público, obrigado
a maximizar os recursos frente aos cortes, tenha saído queimado do
escândalo. Em Lancashire, norte da Inglaterra, as autoridades tiveram
que tirar de circulação os pasteis de carne de 47 escolas públicas. A
Compass, uma empresa de alimentos que fornece comida processada para
mais de sete mil escolas e hospitais do Reino Unido, reconheceu que um
de seus produtos continha carne de cavalo.
Passageiros relataram condições
deploráveis de higiene no cruzeiro Carnival Triumph; embarcação ficou
avariada após um incêndio na sala de máquinas
iG São Paulo |
- Atualizada às
AP
Kristina Courson, de Paris,
Texas, é abraçada por Jamie Hilliard, de Denison, Texas, após
desembarcar do cruzeiro Carnival Triumph, em Mobile
Um navio de cruzeiro que estava à deriva há cinco dias
chegou rebocado na noite de quinta-feira (14) ao porto de Mobile, no
Alabama, acabando com o pesadelo de 4 mil passageiros. A embarcação
ficou avariada após um incêndio na sala de máquinas no domingo e
passageiros relataram uma odisseia de banheiros transbordando, falta de
alimentos e odores desagradáveis.
Os passageiros a bordo do navio Carnival Triumph, de 14
andares, começaram a desembarcar a partir das 21h15 no horário local
(0h15 de sexta em Brasília), alguns em cadeiras de rodas e outros
empurrando sua própria bagagem. Ambulâncias aguardavam na plataforma de
desembarque. Alguns passageiros dançavam em comemoração e tiravam fotos
no porto.
O desembarque foi concluído a 1h15 de sexta-feira (4h15
em Brasília). Para Brittany Ferguson, 24 anos, do Texas, ficar sem saber
quanto tempo ficariam à deriva foi a pior parte. "Eu estou me sentindo
ótima só de estar vendo terra e prédios", disse. "A parte mais
assustadora era não saber quando íamos voltar."
Levou seis horas para que o navio conseguisse atravessar o
canal de navegação de aproximadamente 48 km em direção ao cais. Foram
necessários quatro rebocadores para guiar o navio de 274 metros de
comprimento, o maior desse tipo que já atracou no porto de Mobile, o
único do Estado.
Passageiros a bordo descreveram, por meio de mensagens de
texto, as condições precárias a que foram submetidos enquanto estavam à
deriva. Nauseados pela falta de ar e pelo calor nos primeiros andares,
muitos arrastaram colchões e lençóis para o último andar do navio e
dormiram lá, apesar da chuva.
"Hoje eles limparam o navio, estão servindo comida
melhor, basicamente disfarçando a realidade, mas ao menos estão fazendo a
situação mais suportável", disse Kalin Hill, de Houston, que estava no
navio para uma festa de solteira.
Ônibus levavam passageiros a uma viagem de cerca de sete
horas até a cidade de Galveston, no Texas, ou Houston, ou ainda de duas
horas até Nova Orleans. Alguns também ficaram em Mobile. "É
inacreditável que eu estava naquele navio nessa manhã e agora estou
pegando um ônibus", disse Kirk Hill.
Por mensagem de texto, ela descreveu condições
deploráveis vividas dias antes: "Os andares mais baixos são os piores, o
chão gruda enquanto você anda e muitos dos quartos estão alagados",
escreveu. "O cheiro é literalmente de doer. Há urina e fezes pelo chão. O
chão está inundado com esgoto."
O presidente da Carnival Gerry Hill pediu desculpas em
uma coletiva. "Eu agradeço a paciência de nossos convidados e sua
habilidade para cooperar com a situação. E eu gostaria de reiterar o
pedido de desculpas feito mais cedo. Eu sei que as condições à bordo têm
sido precárias", disse. "Nos orgulhamos de dar aos nossos passageiros
férias incríveis, e, claramente, falhamos nesse caso em particular."
Renee Shanar, de Houston, estava à bordo com seu marido,
que, segundo ela, tem problemas no coração. Eles foram avisados pela
equipe que seriam os primeiros a desembarcar. "Eu não acredito neles.
Eles têm mentido para gente desde o começo", disse.
AP
O sol se põe enquanto o cruzeiro Carnival Triumph era levado ao porto de Mobile, no Alabama
A empresa informou que a tripulação do navio fez tudo o
que estava no seu alcance para garantir o conforto dos passageiros. O
Conselho Nacional de Segurança dos Transportes abriu uma investigação.
Ninguém ficou ferido no incêndio, mas um passageiro com
um problema de saúde foi retirado do navio por precaição. Além disso, a
guarda costeira disse em comunicado nesta quinta-feira que retirou um
passageiro que teria sofrido um derrame.
Os passageiros terão um reembolso de 100% e descontos em
cruzeiros, e a Carnival anunciou na quarta-feira que iria dar um
adicional de US$ 500 em compensação.